O impacto da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) no marketing digital
negócios

O impacto da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) no marketing digital


Quando você está na web, sempre aceita os termos de uso, mesmo sem ler? Cuidado! Seus dados podem estar sendo usados para uma série de serviços que você nem imagina. 

O maior exemplo disto foi visto no começo de 2018, quando o Facebook admitiu ter fornecido dados de milhões de usuários para a Cambridge Analytica, consultoria contratada pela campanha de Donald Trump, que, por sua vez, usou esses dados ilegalmente para influenciar as eleições americanas. 

Este incidente e outros fatores fez com que o Brasil se posicionasse e no dia 14 de agosto, foi sancionada pelo então presidente, Michel Temer, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Em um mundo que toda comunicação passa pelo ambiente digital, esta lei define como as empresas devem tratar os dados pessoais e em que situações as informações podem ser usadas. 

A lei divide os dados entre pessoais e os sensíveis. Os pessoais são informações que permitem identificar uma pessoa ou a caracterização de algum tipo de comportamento. Já os sensíveis, são os que tratam de características que possam permitir a discriminação dos donos desses dados, como origem étnica, religião, opinião sexual, política, até mesmo a identificação genética ou biométrica.

Impacto no marketing digital 

Um dos grandes impactos dessa lei, será sentido por quem tem e-commerce no ar, que terá que atualizar toda a política de privacidade do site. Aquele botão que o consumidor clica e simplesmente aceita todos os termos não valerá mais. Agora, os e-commerces terão de esclarecer de maneira mais prática e detalhada quais dados serão recolhidos e para qual finalidade. 

As empresas de marketing digital, precisarão se adequar e agir em diferentes frentes, revisando a forma que os dados colhidos são utilizados. Um dos principais pontos será mostrar a finalidade desses dados. Se a empresa estiver coletando dados para uma campanha, por exemplo, só poderá usar as informações coletadas para essa finalidade. A criação de outro propósito para usar essa informação precisará de um novo consentimento do titular dos dados. As agências de comunicação não poderão usar os dados dos clientes para divulgações diferentes, como em campanhas de e-mail marketing, ações de vendas e outros tipos de estratégia de marketing. 

Em contrapartida, a publicidade pode se beneficiar com a LGPD, já que a qualidade dos dados será maior, assim, as empresas de comunicação terão um banco de dados que gerará melhores resultados em suas campanhas. 

Fiscalização e multa

As empresas brasileiras terão até fevereiro de 2020 para se adequar às normas. A partir desta data o cidadão poderá solicitar informações sobre quando, como e porque seus dados são coletados, armazenados e compartilhados. Também será possível pedir a transferência ou a exclusão dos dados armazenados. 

A nova lei será fiscalizada pela Agência Nacional de Proteção de Dados. Caso a empresa não cumpra a lei, será cobrada uma multa de 2% do faturamento anual, limitada a R$ 50 milhões por incidente. 

Entre favoráveis e contrários à nova lei, podemos destacar algumas vantagens que ela trará para o mundo digital, como fortalecimento na qualidade dos dados, aumento da confiança do cliente e redução de riscos. 

Fonte: Revista Exame e Accenture do Brasil